Sábado, 6 de Dezembro de 2008

 Sensação estranha de sempre estar atrasada ao menos 10 minutos para tudo na vida.

Tudo inclui tudo: casa, trabalho, bar, café, alegria, luar, ipês... Sempre pegando o último fio de tudo e imaginando o quanto o começo deve ter sido lindo.

Pessoas tão apreciadoras da beleza não devem perder o horário. Ainda mais de coisas que não tem volta.

Hoje cedo meu primo ligou contando que deu o primeiro beijo. Entre tantas coisas me disse que a menina tinha  gosto de azeite na boca e que ele achou legal.

O principal nessa história deveria ser esse momento teoricamente mágico na vida do meu pequeno, mas de repente me peguei pensando: Onde eu estava quando o Vitor fez nove anos?

Pra mim ele sempre será a coisinha fofa e bochechuda que me chamava de senhora aos 15 anos. Onde estava quando ele deixou de ver garotas como seres abissais que quebravam os brinquedos dele? Que salto temporal a vida deu que me impossibilitou de lhe dizer pra não crescer tão rápido? Que rumos maquiavélicos o destino tomou que não me deixou ver que tava perdendo uma parte de suma importância na minha existência?

Meu priminho lindo, que sempre pensou que fosse sua tia me liga no recreio da escola pra dizer que uma menina o fascinou a ponto dele gostar de azeite e eu aqui... perdendo... sempre perdendo...

Vontade doida de gritar pra ele não roubar de mim o prazer de acompanhar sua vida, de lhe dizer que certas coisas podem esperar, tipo... uns 10 anos. Ai que vontade de colocar toda essa ternura descompassada de tia-prima possessiva em um email e fazer com que ele sinta que tá me roubando algo bem mais precioso do que as horas que perco fazendo de conta que sou alguém responsável e racional.

Como trocaria cada preciosidade consumista pelo prazer de ver o brilho dos seus olhos enquanto falava do azeite. 

O que falei? Coisas que primas-tias normais e sem atrasos pra vida falaria:

-Tô tão feliz por você, meu amor. Esse é um momento muito importante na tua vida. O primeiro passo pra se tornar uma adulto e blá blá blá...

Ele perguntou se estava me atrapalhando, disse que ele tinha todo o tempo do mundo. Larguei todas as páginas que deveria estar escrevendo, fechei o Corel, perdi todas as edições de fotos, ignorei os chamados do Douglas, subi dois andares até a varanda de fumantes e fui apreciar por cima dos prédios a intensa felicidade do primeiro beijo do menino de 9 anos que nunca crescerá pra mim. 

Chorei... de desespero e de saudade de coisas que não vivi e que nem sei se de fato existiram.

Ao final do desabafo de primeiro amor do meu peuqeno lhe perguntei o que ele pretendia fazer agora. E, juro, obtive a resposta mais linda de todas:

 

"_Ah, tia K agora vou voltar pra aula que tenho prova. Beijo."


sinto-me
música Cotidiano (Chico Buarque)

publicado por Cultivando Pés de Vento... às 09:04 | link do post | comentar | favorito

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